quarta-feira, outubro 17, 2012

Cientistas analisam cérebro de “savant” mais famosa do mundo

Temple Gardin teve seu cérebo escaneado enquanto resolvia exercícios psicológicos. Portadores da síndrome possuem dificuldades elementares e talentos incríveis.

Editora Globo
O mistério em torno do cérebro de Temple Gardin começa a ser desvendado //Crédito: GETTY IMAGES

A síndrome de Savant torna pessoas absolutamente geniais em seres indecifráveis. É o tipo de coisa que faz com que gente muito mais sensível que a média não consiga verbalizar para os outros ao redor o que se passa dentro da sua cabeça. É o tipo de coisa que faz gente inteligente passar por burra. É o tipo de coisa que faz uma mulher que só conseguiu falar depois dos 4 anos de idade aparecer na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo. Os cientistas nunca souberam ao certo o que faz esse tipo de coisa acontecer. Mas, pela primeira vez, eles realizaram uma análise profunda do cérebro de uma portadora da síndrome e estão cheio de novidades para contar.

A pessoa escolhida foi Temple Grandin, uma americana de 65 anos, professora de Ciência Animal na Universidade do Colorado, nos EUA. Em 2010, a revista Time a elegeu como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo (na categoria Heróis), graças a sua contribuição para uma vida mais digna e menos estressante para os bois cultivados pela indústria alimentícia. Sua sensibilidade absurdamente apurada foi utilizada para repensar os padrões de confinamento animal nos EUA. E agora seu cérebro foi analisado para, quem sabe, mudar a forma como enxergamos e tratamos os autistas.

Grandind foi submetida à diversos testes psicológicos enquanto especialistas scaneavam seu cérebro. E a primeira coisa que eles notaram foi: seu cérebro é bem grande, com um volume maior que a média. Seus ventrículos laterais são assimétricos, de forma que a parte da esquerda é bem maior que a da direita. Os cientistas classificaram essa diferença como “muito impressionante”. É nessa parte do cérebro que fica nosso fluido cerebrospinal. Esse desequilíbrio também é observado em outras partes de seu cérebro: a quantidade de substância branca do lado esquerdo é bem maior que o convencional. Essa substância é importantíssima para as conexões entre diferentes partes do sistema nervoso e talvez explique a extraordinária capacidade de memorizar e visualizar espaços que Grandin tem – algumas de suas conexões cerebrais são aprimoradas em relação ao cérebros comuns.

Se algumas partes do cérebro dela são simplesmente melhores que as nossas, outras se mostram um pouco mais fracas que a média. Sua baixa capacidade de se comunicar, por exemplo, é explicada pelo fraco giro inferior frontal esquerdo que possui. Essa é justamente a área cerebral responsável pela linguagem e pela compreensão verbal. O seu giro fusiforme direito comprometido implica na dificuldade que ela sente em reconhecer os rostos das pessoas – fato que acaba impossibilitando que a professora se envolva emocionalmente com os outros.

A análise foi divulgada durante o encontro anual da Society for Neuroscience, que aconteceu em Nova Orleans, e realizada por estudantes da Universidade de Utah, nos EUA. De acordo com os pesquisadores, o objetivo era entender como um só cérebro pode produzir, ao mesmo tempo, capacidades e incapacidades tão extraordinárias.

Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI321513-17770,00-CIENTISTAS+ANALISAM+CEREBRO+DE+SAVANT+MAIS+FAMOSA+DO+MUNDO.html

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