quinta-feira, novembro 15, 2012

O atendimento da crise epiléptica em 12 passos

 
 
A foto acima ilustra o que qualquer pessoa deve fazer ao presenciar uma crise epiléptica tônico-clônica generalizada. Mas e depois, na unidade de saúde, o que deve ser feito? Já na emergência, em conjunto com uma equipe de saúde preparada, o médico deve se guiar por um processo diagnóstico estruturado. Uma crise epiléptica requer...
alguns cuidados e uma investigação detalhada para que se possa definir o melhor tratamento para cada caso. Tomando como base o livro ‘Emergências Clínicas Baseadas em Evidências’, redigido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, listamos 12 passos fundamentais a serem seguidos pelo profissional que se depara com uma em crise epiléptica:
 
1) Estabilização clínica, conforme preconizado pelos protocolos de suporte básico e avançado de vida;
2) Exame clínico geral, incluindo parâmetros hemodinâmicos, temperatura, glicemia capilar, saturação de oxigênio;
3) Exame neurológico, com ênfase na pesquisa da rigidez de nuca e fundo de olho;
4) Investigação do uso de medicamentos, drogas ilícitas e possibilidade de abstinência (principalmente os sedativos hipnóticos, depressores do SNC e álcool etílico);
5) Obtenção de dados de história sobre lesão neurológica prévia ou epilepsia;
6) Em pacientes epilépticos, obtenção de dados sobre quais medicações faz uso e eventual não-aderência ao tratamento;
7) Realização de exames laboratoriais para afastar os principais distúrbios hidroeletrolíticos relacionados a crises: glicemia, uréia, creatinina, sódio, cálcio, fósforo, magnésio, hemograma e gasometria arterial;
8) Dosagem sérica de drogas antiepilépticas, útil em pacientes previamente epilépticos;
9) Eletrocardiograma (para afastar arritmias e síndrome do QT longo);
10) Exame de imagem do crânio (ressonância magnética ou tomografia computadorizada, dependendo da disponibilidade, urgência e capacidade de cooperação do paciente). Nos pacientes epilépticos com etiologia já investigada pode-se, criteriosamente, prescindir de novo exame de imagem. A tomografia pode ainda ser necessária para excluir lesões secundárias à crise, como traumatismo craniano;
11) Exame do líquor, fundamental nos casos de suspeita de meningite ou encefalite;
12) Investigação de foco infeccioso sistêmico, em casos selecionados.
 
O objetivo das drogas antiepilépticas é cessar uma crise prolongada e prevenir novas crises. Seu uso é criterioso e reservado para casos selecionados, tendo em vista que a maioria das crises é autolimitada.
 

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