quinta-feira, abril 11, 2013

Campanha incetiva empresas a contratar jovens com síndrome de Down

Campanha incetiva empresas a contratar jovens com síndrome de DownPara estimular empresas a contratarem portadores da trissomia 21 – como a síndrome de Down é chamada em Portugal – uma associação de pais dá início hoje (21) à campanha “Acreditem. Eles conseguem!”.
O intuito é mostrar que pessoas adultas com síndrome de Down são capazes de trabalhar e estender, ao mercado de trabalho, a visão inclusiva, típica do Estado de bem-estar europeu, que garantiu a crianças e adolescentes lusitanos com Down e outras deficiências o acesso à educação pública de qualidade.
De acordo com Marcelina Souschek, fundadora da Associação Pais 21, ainda são poucas as empresas em Portugal que contratam pessoas com Down. Mesmo assim, a associação coleciona casos que demonstram que a presença de empregados com a deficiência melhora o ambiente de trabalho, o que costuma favorecer ganhos de produtividade.
Segundo ela, pessoas com Down têm uma sensibilidade emocional “acima da média” e a típica cordialidade do trato acaba por cativar os colegas. “Eles são capazes de compreender o outro”, explica, ressaltando que a habilidade é muito valorizada nos processos de recrutamento para trabalhos em equipe.
Para a associação, falta conhecimento entre os empresários sobre essas capacidades. Além disso, a legislação portuguesa não tem sido eficaz para estimular contratações. O benefício fiscal só é obtido para empresas que fazem contratos de trabalho por tempo indeterminado – prática rara no mercado de trabalho português, especialmente depois da crise econômica (que já desempregou quase 1 milhão de pessoas).

No Brasil
O preconceito é o principal desafio que as pessoas com a Síndrome de Down e seus familiares enfrentam. A inserção no mercado de trabalho para as pessoas com Síndrome de Down está muito aquém da desejada e esbarra no preconceito e na discriminação. A avaliação é da presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD), Cláudia Grabois.
Segundo ela, além de haver muito preconceito na contratação de pessoas com a deficiência, o problema é agravado pelo fato de boa parte dessas pessoas serem pobres e não terem tido acesso à educação.
Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do trabalho, referentes a 2007, mostram que dos 37,6 milhões postos de trabalho apenas 348,8 mil (1%) são ocupados por pessoas com necessidades especiais, destes 2,4% têm deficiência intelectual. Sobre a situação específica da inserção das pessoas com Down no mercado de trabalho, não há estatísticas oficiais ou extra-oficiais.

Mas, algumas empresas estão mudando esse quadro, empresas como Pão de Açúcar e Citibank descobriram nos deficientes intelectuais profissionais preocupados com o bem-estar do cliente e com aptidão acima da média para ouvir e atender diferentes pedidos.
São empacotadores e atendentes da mercearia do supermercado que não deixarão o freguês levar um produto de limpeza aberto, uma lata amassada ou algo sem condições perfeitas de uso. Não vão sossegar até resolver o problema de um cliente e ficarão incomodados se vir alguém mofar na fila do banco.
Quem vai à agência do Citi da Mooca (zona leste de SP) é recebido por Eduardo Ferreira Filho, 26, assistente de atendimento. Poucos sabem que Dudu, como é conhecido, só foi alfabetizado aos 16 anos e tem dificuldade de aprendizagem.
Enquanto o cliente espera, Dudu oferece café, pergunta se tem alguma conta para colocar em débito automático e se deseja fazer uma cotação de seguro do carro. “É sem compromisso. Vai que é melhor e mais barato?”, diz.
“O Dudu é o relações-públicas da agência. E vende muito seguro. É o mais dedicado, não falta a um amigo-secreto, uma festa da firma. Nas férias, fica com saudade e vem visitar a gente”, diz o gerente Rui Fontoura.
Empacotadora do Pão de Açúcar da rua Afonso Bovero (zona oeste), Roberta Macetti, 35, que tem síndrome de Down, conhece alguns fregueses pelo nome. Quando o movimento está fraco, ela se oferece para lavar a louça da copa dos funcionários. “Não gosto de ficar parada”, disse.

Segredo do sucesso
“Não pode ter ‘café com leite’. A chave desses programas é o treinamento e o preparo do ambiente de trabalho. A presença do deficiente torna as pessoas mais solidárias, preocupadas. Elas se sentem orgulhosas de trabalhar em lugar que respeita as diferenças e as limitações de cada um”, disse Marcelo Vitoriano, gerente da Avape, que ajuda nos programas do Citi e do Pão de Açúcar.

Fonte:  http://mundoconectado.net/bem-estar/saude/campanha-incetiva-empresas-a-contratar-jovens-com-sindrome-de-down/
MundoConectado.net

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe sua opinião: