segunda-feira, agosto 01, 2016

No Limite do Amor

No exercício da Psicologia Clínica, com frequência somos questionados a respeito da melhor forma de educar uma criança. 
Pais, ansiosos em proporcionar a seus filhos a melhor educação, demonstram culpa e dúvidas em relação à "punições". 
É preciso considerar que estamos em constante transformação sócio-cultural ("os tempos são outros") e que as crianças e adolescentes têm, em sua rotina, atividades, estímulos e conceitos que muito diferem dos que tinham seus pais na mesma faixa-etária.
Muitas vezes demonstram-se angustiados, relatam se surpreender com algumas atitudes de seus filhos e dúvidas sobre que atitude tomar. Porém, alguns fatores foram relevantes para que os pais perdessem ou diminuíssem consideravelmente o contato com seus filhos. Um deles é o fato de a maioria das mães trabalharem fora e terem pouco tempo para acompanhar os acontecimentos na vida dos filhos, como tinham as mães, há alguns anos. Quantidade não é sinônimo de qualidade, porém, essa ausência, somada a outros fatores que influenciam no desenvolvimento de todo ser humano, resultam, muitas vezes, na perda de alguns valores e princípios dos pais. A essência familiar é abalada quando as crianças não têm a oportunidade de vivenciar e compreender a importância de respeitar os limites impostos pelos pais e se não os vêem como figuras de autoridade em suas vidas, dificilmente conseguirão respeitar professores, patrões, e qualquer relação hierárquica. A questão é que alguns pais, temendo cair no erro de uma educação radical e opressora (muitas vezes as crianças apanhavam sem saber a razão ou sabiam que estavam sendo injustiçadas. Em outras situações, não tinham a oportunidade de se defender ou de opinar), acabam caindo num outro extremo tão perigoso quanto o contexto vivido em sua infância: a falta de limites e regras na dinâmica familiar. O que muitas vezes caracteriza-se pela omissão em situações em que é necessária a intervenção dos pais.
É importante que os pais tenham certeza de sua resposta antes de dizer "não" a um pedido, e que não voltem atrás no primeiro argumento ou insistência da criança. Porque além de sentir  segurança na imposição dos pais, aprenderá a lidar com os "não's" que a vida lhe dirá. Aprenderá a respeitar os limites de suas ações para não violar o direito do outro. O adulto que somos hoje é resultado de tudo o que vimos, ouvimos, conhecemos, experimentamos, enfim, tudo o que vivemos desde que nascemos. A Psicologia Comportamental denomina essas vivências como condicionamentos, e auxilia o indivíduo (durante o processo psicoterápico) a admitir a necessidade e a possibilidade de mudar seus conceitos, de corrigir alguns padrões cognitivos que estão lhe causando danos. As técnicas comportamentais são empregadas diante das necessidades de modificar condutas inadequadas, facilitar novas descobertas, auxiliando o indivíduo a interagir com o meio de forma tranquila e produtiva. É salutar, no desenvolvimento da criança que experimente limites, regras e disciplina. Estes fatores que servem como "bússula" para o ser em desenvolvimento que busca constantemente segurança em seu amadurecimento. Até mesmo as frustrações, que os pais evitam tanto, contribuirão para que seus filhos cresçam de forma sadia, emocionalmente, desde que tenham amparo, sintam-se amados, protegidos e seguros por aqueles que eles têm como referência. Desde que compreendam a razão de as coisas não terem acontecido conforme desejaram ou planejaram.
Auxiliar os pais em tarefas domésticas como arrumar sua própria cama, e aprender a ser organizada contribui para que a criança cresça com hábitos de organização que só a beneficiarão no decorrer de sua vida. Isso não é explorar, isso é ensinar a colaborar, é ensinar a contribuir, isso é educar. Com o passar do tempo, uma tarefa que parecia pesada ou difícil, torna-se um hábito e começa a ser executada com naturalidade.
Mais importante que disponibilizar tempo é necessário aproveitar o tempo; mais do que dar presentes é necessário elogiar; mais do que castigar é necessário olhar nos olhos e demonstrar decepção; mais do que cobrar é necessário dar exemplo; mais que sustentar é necessário amar.
Cada indivíduo, com seus defeitos e virtudes, têm seu valor. Cada família tem sua própria dinâmica, seu jeito próprio de conviver. Siga seus instintos de proteção e amor, sem sentimento de culpa, na hora que precisar "frear" seu filhote. Às vezes, é preciso que razão e emoção atuem na mesma medida!

(Elisabete Castro)

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